Uma carta de amor e confissões

Uma carta de amor e confissões

Querida Diamantina,

tanta intimidade se explica pelos dias que passamos juntos neste mês. Sei que a minha exposição com as fotos dos seus moradores, nas sacadas dos sobrados da Rua da Quitanda, chega ao fim no próximo domingo (22/09). Mas antes disso, precisava lhe dizer que apenas uma coisa é maior do que a saudade que sinto de você: a lição que tu me deste.

Aprendi que a alegria dos seus filhos – os diamantinenses – não tem fim!

Sei que sou novo (nasci em 2012), mas cresci lutando para que cada vez mais pessoas valorizem a identidade cultural e memória das cidades brasileiras. Em outras palavras, me tornei um Quixote errante; um caixeiro viajante; um beato com a crendice de que sou capaz de estar em mil lugares resgatando o orgulho local de “ser daquela terra”.

Sereno e curvado aos pés de suas montanhas de pedras e cachoeiras, parto agora a me confessar a ti. E assim o faço…

Sem nenhum demérito às demais cidades por onde aportei com meu alforje (tenda branca, exposição, varal fotográfico e projeções), uma constatação preciso tornar pública: neste propósito de resgatar orgulhos pessoais, em nada contribui ao me emparelhar a ti.

Doravante, sigo a concluir, querida Diamantina.

A verdade é que foram os seus moradores que me deram uma lição. Mostraram que ao pisarem suas capistranas; ao cruzarem seus becos; ao elevarem seus olhares para as cúpulas e torres das suas igrejas; ao percorrerem o seu Mercado Velho, a casa de Chica da Silva ou qualquer outro pedaço seu de pedra e madeira tombado pelo Patrimônio Histórico, em qualquer uma destas situações, o seu morador, Diamantina, sabe que ele próprio e sua história são o verdadeiro motivo de fazer com que tu seja tão formosa, especial e única.

Com saudade alegre, me despeço. Seu eterno amante,

Projeto Moradores

TEXTO: Gustavo Nolasco

FOTOS: Marcus Desimoni, Gustavo Baxter, Gustavo Nolasco e Luiz Felipe Fernandes

As ações em Diamantina aconteceram na Rua da Quitanda.
A exposição ficou nas sacadas dos sobrados da Rua da Quitanda.
A abertura da exposição aconteceu durante a apresentação da Vesperata.
Os moradores e os músicos dividiram o espaço naquela noite.
Turistas e moradores assistiram ao filme do Moradores durante o intervalo da Vesperata.
No raiar do dia, o varal fotográfico tomou corpo na Rua da Quitanda.
Os moradores fotografados puderam pegar uma cópia de suas fotos.
Petit foi um dos moradores a buscar sua foto no varal do projeto Moradores.
A cada foto encontrada, uma nova reação se via.
Satisfação e orgulho foi o que Maria Tereza sentiu.
Bel voltou com sua descontração.
E o sentimento de dever cumprido foi o da equipe Moradores.