O Baixinho do Picolé

O Baixinho do Picolé

O rio São Francisco parte ao meio os estados da Bahia e Pernambuco lá no sertão. Só não consegue separar a eterna paixão proibida que existe entre as cidades de Petrolina/PE e Juazeiro/BA.
De suas beiradas, por inúmeras vezes, as barquinhas (como são chamados os barcos que fazem uma espécie de “lotação” entre as duas cidades pelas águas do grande rio) partem cheias de pernambucanos e baianos. Um ir e vir embalado pelo barulho do motor e pela beleza do espelho d’água.

É impossível conhecer todos; saber de suas histórias e firmar um convívio. Mas existe um homem que conseguiu: o Baixinho do Picolé, um atarracado moreno de sorriso preso, voz fina e uma memória de computador.

De sua barraca, fincada na beirada de Petrolina, ele vai apontando cada passageiro e contando sua história. Sabedoria e conhecimento que adquire nos poucos minutos de conversa com os clientes entre o abrir de um picolé e a luta por mordê-lo logo, antes que o sol escaldante vença a luta e o derreta.

Baixinho foi um dos personagens escolhidos para representar a memória e a identidade dos moradores de Petrolina, talvez, o mais importante patrimônio desta cidade sertaneja.
Agora, se um dia a tenda branca do projeto Moradores voltar àquele pedaço de Brasil, não precisará explicar muito sobre si, pois o Baixinho do Picolé já conhece bem essa história e o fará por nós.

TEXTO: Gustavo Nolasco
FOTOS: Bruno Magalhães e Marcus Desimoni

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