A poesia sem métrica do Projeto Moradores

Muita gente se surpreende com um espanto alegre quando escuta o nome do projeto: “Moradores – A Humanidade do Patrimônio”. Por outro lado, nós nunca tivemos a oportunidade de contar como essa alcunha surgiu.

Não é tarde para revelar. Esse batismo aconteceu a partir de uma poesia. Escrita na chegança de uma noite de fevereiro de 2012, na calçada de esquina, numa mesa de bar, em Tiradentes, Minas Gerais.

Caderneta de capa preta, e páginas envelhecidas. Aberta ao lado de um copo lagoinha, suando gotas. Em volta dela, rapazes de apelidos Xande, Prents, Gustavão e Kilha. Tentavam se explicar em palavras o êxtase vivenciado, horas antes, após o inaugural dia de tenda branca montada numa praça. Ali haviam escutado as primeiras histórias de moradores, para em seguida, fotografarem seus rostos.

Goles gelados molhavam palavras. Manchas de líquido num semicírculo marcavam o canto de uma página, onde estavam rabiscados nomes imaginados e abandonados anteriormente. A caneta começou a deslizar, à medida do acender de lamparinas no Largo das Forras.

Minutos, suspiros, silêncios e linhas. A última palavra foi escrita pelos quatro camaradas. A caderneta foi erguida, com a poesia, sem rima, beira ou métrica. Pronta e definitiva. Foi dada a ela o nome “Moradores – A Humanidade do Patrimônio”.

Celebrando esse 20 de outubro, e como forma de dizer “parabéns” a todas as poetas e os poetas de versos, vidas e memórias, repetimos aqui a poesia madrinha do nosso projeto de andaças por ouvir e contar histórias das gentes.

Não fala por sinos

Não se veste de eiras e beiras

Não pisca por lamparinas

Não se pinta de barroco

Não se mostra em adros ou torres

 

Não nasce do ouro

Não cresce só morro

Não acaba no beco

Nunca completará 300 anos

 

Como encontra-los?

Olhando em seus olhos

2012.

Alexandre Baxter | Bruno Magalhães | Gustavo Nolasco | Marcus Desimoni

Projeto Moradores

www.projetomoradores.com.br

www.instagram/projetomoradores

Foto da capa: Andreo Paiva