Projeto quer recontar a história do Serro e de São Gonçalo a partir da memória de seus moradores

Projeto “Moradores” vai fotografar e registrar histórias dos moradores do Serro e de São Gonçalo do Rio das Pedras entre os dias 25 e 29 deste mês; trabalho será transformado em exposição surpreende nas praças públicas, com patrocínio da Oi e apoio do Oi Futuro

Quantas histórias de vida, amor, tristeza, saudade e segredos temos em relação à nossa própria cidade? O que pode ser mais importante do que manter viva a memória dos moradores do Serro e de seus distritos?

O projeto Moradores – A Humanidade do Patrimônio é um movimento de ocupação urbana pela valorização da identidade cultural e da memória dos moradores como sendo o maior patrimônio que uma cidade pode ter. Entre os dias 25 e 29 deste mês, ele passará por São Gonçalo do Rio das Pedras e pelo Serro.

Tudo começa com uma tenda branca montada em uma praça pública, uma câmera apontada e um convite. Nesse instante, mais do que o ato de se deixar fotografar, o morador – anônimo, popular ou mestre do saber – será chamado a se reconhecer como patrimônio cultural de sua cidade e a contar sua história de afetividade com o território.

Em São Gonçalo, a tenda para as fotografias e entrevistas ficará montada nos dias 26 (sábado) e 27 (domingo). Já no Serro, a tenda estará na praça da antiga rodoviária no dia 28 (segunda-feira), de 9h às 17h, e no praça João Pinheiro no dia 29 (terça-feira), no mesmo horário.

Exposição e varal fotográfico |
O material (fotos e depoimentos) será editado e transformado em surpreendentes e inéditas exposições multimídia, com fotos e projeções em lugares inusitados, tanto no centro histórico do Serro quanto em São Gonçalo, entre os dias 15 e 24 de junho.

Além da exposição, será montando um varal fotográfico, onde todos os moradores fotografados poderão retirar uma cópia de sua foto. Ainda dentro do projeto, todas as histórias registradas são transformadas num documento audiovisual a ser entregue à Prefeitura do Serro, parceria e apoiadora do Projeto Moradores.

“Nosso objetivo é despertar no morador o orgulho de ser patrimônio do Serro e de São Gonçalo. Recontar a história da cidade e do distrito a partir da memória afetiva de cada um. Queremos que os moradores e suas histórias sejam vistos como uma riqueza cultural, assim como aprendemos a enxergar as igrejas coloniais, o casario e os monumentos naturais, por exemplo”, explica o escritor Gustavo Nolasco, autor do projeto Moradores ao lado dos fotógrafos Marcus Desimoni e Bruno Magalhães e do cineasta Alexandre Baxter.

Educativo e roda de conversa |
Em São Gonçalo do Rio das Pedras, ainda acontecerá uma oficina cultural para a comunidades e lideranças culturais. “Criamos uma forma de execução que possa servir como inspiração para que outros grupos culturais, escolas, jovens e até mesmo moradores de outros distritos, como Milho Verde possam replicar em outros territórios a metodologia do Projeto Moradores”, explicou Bruno Magalhães.

No dia 15 de junho, data da abertura da exposição no Serro, também acontecerá uma roda de conversa sobre “memória e patrimônio”, no Museu Regional Casa dos Ottoni, promovida pelo Projeto Moradores, Prefeitura do Serro e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Outras cidades |

Neste ano, em Minas Gerais, além de Serro e São Gonçalo, as cidades de Montes Claros e Bocaiúva também receberão o Projeto Moradores, no mês de julho. Nas quatro etapas, o projeto terá o patrocínio da Oi, com apoio do Oi Futuro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

Em dezembro será a vez da cidade do Rio de Janeiro receber o projeto, numa parceria com o programa educativo do Oi Futuro, coletivos e artistas cariocas. Sua temática será a transformação silenciosa das ruas e bairros centrais da cidade. Para tanto, histórias de moradores e frequentadores da rua Dois de Dezembro (Largo do Machado) serão reconstruídas por meio de intervenções sonoras e fotográficas.

O projeto Moradores é uma criação do coletivo NITRO Histórias Visuais, de Belo Horizonte, e surgiu em 2012. Já passou por cinco estados, 13 cidades e registrou a história de aproximadamente 2.500 pessoas. Foi reconhecido pelo IPHAN como uma ação de sucesso em Educação Patrimonial.

De 2002 a 2017, o Projeto Moradores passou por São Paulo (Campinas), Rio de Janeiro (Paraty), Bahia (Juazeiro), Pernambuco (Petrolina) e Minas Gerais (Belo Horizonte, Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Tiradentes, São João Del Rei, Juiz de Fora, Ipatinga, Itatiaiuçu).